O lugar das máscaras de amieiro

A aldeia de Beira Alta com o Entrudo feito de máscaras de amieiro.

O lugar das máscaras de amieiro

A maioria das tradições de máscaras em Portugal acontece no noroeste do país, onde a distância da costa e das principais cidades, juntamente com as montanhas que estão pelo meio meio, permitiu que essas tradições pagãs sobrevivessem. Lazarim é uma daquelas aldeias com tradições pré-cristãs: um Carnaval que se esconde atrás de máscaras de madeira de amieiro. Apesar de não ser o lugar mais distante dos grandes centros, o facto de estar em um fundo de um vale em plena Serra de Montemuro faz com que seja mais isolado do que aparentemente é.

É esse isolamento, junto com a resiliência daqueles que lá vivem, que mantêm a tradição viva. O que inicialmente era um ritual pagão de fertilidade, e altamente subversivo devido às máscaras e ao anonimato, sobreviveu a um rigoroso regime fascista com fortes valores católicos. É um traço comum de todas as tradições de máscara se seguir nos últimos anos: a igreja e o padre local nunca gostaram muito disso. Em Lazarim, durante os anos da ditadura, as festividades geralmente acabavam na esquadra, e depois no tribunal, onde toda a aldeia aparecia em peso para o julgamento..

Hoje em dia a “guarda” não vão mais atrás do povo de Lazarim, e pequenas multidões aparecem no fim de semana do Carnaval, especialmente na Terça-Feira Gorda, para participar nos festejos. As coisas evoluíram. As máscaras de amieiro ainda são construídas segundo os motivos tradicionais, mas outras mais modernas apareceram (embora as classicás máscaras do diabo ainda sejam as mais marcantes), e foi criada uma competição onde todos os artesãos quere obter o troféu da melhor máscara do ano.

FUJIFILM X-T10 (18mm, f/2, 1/3500 sec, ISO200)

As montanhas ao redor de Lazarim e a estrada sinuosa que leva até ela no fundo do vale.
FUJIFILM X-T10 (85mm, f/0, 1/900 sec, ISO200)
Algumas das casas de Lazarim, com algumas já a cair.
FUJIFILM X-T10 (18mm, f/2, 1/100 sec, ISO800)
Ferramentas e lascas de madeira de trabalho em curso numa máscara.

![](/images/posts/2019/05/Lazarim_201605054.jpg)FUJIFILM X-E2 (35mm, f/2, 1/100 sec, ISO200)
Esculpindo um bloco de amieiro até à máscara.

FUJIFILM X-T10 (18mm, f/2, 1/100 sec, ISO400)

Um canto de uma oficina de máscara, com máscaras acabadas e troféus de anos anteriores.
FUJIFILM X-E2 (35mm, f/2, 1/100 sec, ISO1000)
Escola primária com a data do último dia de aula antes do Carnaval.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2, 1/170 sec, ISO200)
Acendendo o fogo, para cozinhar o feijão e a carne dentro das panelas que serão servidas a todos.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/4, 1/600 sec, ISO200)
No início da tarde, os primeiros mascarados começam a aparecer nas ruas, a caminho da praça.
FUJIFILM X-T10 (18mm, f/2.2, 1/450 sec, ISO200)
Máscara e traje, prontos para o Carnaval.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/2, 1/640 sec, ISO200)
À procura dos melhores lugares.
FUJIFILM X-E2 (35mm, f/2, 1/500 sec, ISO200)
Um por um os “caretos”, os mascarados, vão chegando à praça principal, ao mesmo tempo em que o público vai-se juntando.
FUJIFILM X-T2 (50.5mm, f/4, 1/640 sec, ISO400)
A praça é o local de encontro, e logo fica lotada de participantes para descobrir qual é a melhor máscara.
FUJIFILM X-T2 (55mm, f/4.5, 1/340 sec, ISO400)
Os mascarados alinham-se lado a lado, bem em frente ao pequeno palco.
FUJIFILM X-T2 (23mm, f/3.2, 1/420 sec, ISO400)
Um rapaz e uma rapariga (_compadre* e _comadre*) irão subir ao palco e ler os “testamentos”, uma longa lista de “factos” não lisonjeiros relacionados com os outros aldeões.
FUJIFILM X-T2 (18mm, f/8, 1/200 sec, ISO400)
Multidão a ouvir a leitura dos “Testamentos” na praça principal.

![](/images/posts/2019/05/Lamego_201746613.jpg)FUJIFILM X-T2 (55mm, f/4, 1/750 sec, ISO400)
Sendo uma festa de inverno no norte de Portugal, a chuva é uma constante.

FUJIFILM X-T2 (25.4mm, f/4, 1/3800 sec, ISO400)

A última atividade do dia: a queima do “compadre” e “comadre”, com todos (incluindo os mascarado) observando de longe.
FUJIFILM X-T2 (37.4mm, f/3.6, 1/80 sec, ISO3200)
A Terça-Feira Gorda termina com todos a feijoada que estava cozinhar durante a tarde inteira.