No Trás-Os-Montes, no canto nordeste de Portugal, o inverno carrega o peso de séculos. Aqui, antigos rituais do solstício ainda marcam a viragem do ano, ecoando um tempo anterior às tradições cristãs que reformularam o calendário. Estas cerimónias—enraizadas na fertilidade, nas colheitas e no poder silencioso da renovação—desenrolam-se em aldeias de paredes de pedra à medida que os dias começam a crescer.
Desde a energia caótica de figuras mascaradas que percorrem as ruas do norte durante o Natal, até às madrugadas solenes e geladas do Planalto Mirandês no Dia de Ano Novo, cada aldeia conta a sua própria história. Algumas exibem máscaras elaboradas adornadas com serpentes, laranjas e chifres—símbolos de renascimento e abundância. Outras recorrem a rostos enegrecidos e lendas sussurradas que atravessam gerações.












