Escondida num vale da serra de Montemuro, Lazarim parece mais isolada do que realmente é. Esse afastamento, aliado à teimosia de quem lá vive, ajudou a preservar um Entrudo como poucos — moldado por máscaras em madeira de amieiro, anonimato e ecos de antigos rituais de fertilidade.
Outrora malvisto pela Igreja e proibido durante a ditadura, o desfile das figuras mascaradas de Lazarim sobreviveu a investidas da polícia e intimações do tribunal. Hoje, voltam a andar livremente, sobretudo na terça-feira de Carnaval, quando a aldeia se enche de fogo, disfarces e um discreto sentimento de desafio. As máscaras evoluíram, mas o espírito — irreverente, cru e profundamente enraizado — mantém-se.


















