Por entre os caminhos ladeados de árvores de Père Lachaise, para lá dos nomes célebres e das estátuas gastas pelo tempo, desenrola-se uma história mais discreta — a dos homens que mantêm o cemitério a funcionar. Com pás, pedra e rotina, reparam túmulos degradados, cuidam dos recantos esquecidos pela vegetação e abrem sepulturas com mão firme e experiente.
O seu trabalho é físico, concreto, quase invisível num lugar conhecido pelos seus fantasmas. Mas é esse labor que mantém tudo de pé — por detrás de cada lápide polida e inscrição coberta de musgo, há alguém que ali passou com cuidado, limpou o mármore, endireitou uma cruz tombada, abriu espaço para quem vem a seguir.

















